As internações por Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs) cresceram 61% no Brasil entre 2015 e 2024, segundo dados da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), em um cenário que reforça a importância do Maio Roxo, mês dedicado à conscientização sobre essas doenças e à busca por diagnóstico precoce e do acompanhamento médico.
As DIIs incluem principalmente a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, condições crônicas que podem afetar todo trato gastrointestinal, da boca ao ânus, com impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes.
O aumento acompanha uma tendência já observada em estudos internacionais. Um levantamento publicado na revista The Lancet mostrou que, entre 2012 e 2020, o país chegou a registrar 100 casos por 100 mil habitantes. De acordo com a médica Ticila Melo, oncologista da Imuno Santos, as causas das DIIs ainda não são completamente conhecidas, mas a ciência aponta para uma combinação de predisposição genética, alterações imunológicas e fatores ambientais. “O Maio Roxo é uma campanha extremamente importante porque ajuda a dar visibilidade às Doenças Inflamatórias Intestinais. Muitas pessoas convivem durante anos com sintomas importantes sem saber que têm uma doença inflamatória crônica”, ressalta.
Diagnóstico
O diagnóstico precoce é fundamental para reduzir os riscos de complicações, hospitalizações, cirurgias e danos irreversíveis ao intestino. No entanto, segundo a médica, essa ainda é uma realidade distante no Brasil. “Em alguns casos, o paciente pode levar anos até receber o diagnóstico correto. Isso acontece tanto pela falta de informação da população quanto pela dificuldade de acesso a exames e acompanhamento especializado”.
Sintomas
A médica orienta que os principais sintomas que devem servir de alerta são diarreia persistente, dor abdominal, presença de sangue nas fezes, perda de peso, fadiga e urgência evacuatória. Há também as chamadas “red flags”, como diarreia crônica, sangramento intestinal, emagrecimento sem explicação, anemia, febre, dor abdominal, histórico familiar de DII, alterações ao redor do ânus, dores articulares e lesões de pele, que indicam necessidade de avaliação urgente.
Segundo Ticila, muitas vezes os pacientes acreditam que esses sintomas são apenas consequência de alimentação inadequada, estresse ou “intestino nervoso”, o que contribui no atraso do diagnóstico. “Dor abdominal e diarreia persistente não são normais e merecem investigação especializada. A doutora ressaltou que hábitos saudáveis, não fumar e procurar avaliação médica diante de sintomas persistentes são atitudes importantes para o diagnóstico precoce.
Tratamentos
Apesar da dificuldade nos diagnósticos, a medicina já avançou em tratamento. Hoje, terapias, incluindo medicamentos imunobiológicos e terapias-alvo específicas, ajudam não só a aliviar sintomas, mas também a controlar a inflamação intestinal, evitar complicações e proporcionar qualidade de vida. “É absolutamente possível ter qualidade de vida após o diagnóstico”, finaliza Ticila.

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