O debate sobre o fim da escala 6×1 desafia as empresas a conciliar a reorganização das jornadas com a preservação da saúde mental dos profissionais e a qualidade das entregas. Para a Great People Mental Health (GPMH), essa transição exige atenção às condições que favorecem o bem-estar, a capacidade cognitiva e a produtividade sustentável . “Quando falamos em jornada de trabalho, precisamos olhar para o impacto que a rotina profissional tem sobre as pessoas. Cansaço persistente, pressão excessiva e falta de tempo para recuperação podem comprometer o bem-estar e a capacidade de concentração. Por isso, discutir a redução da jornada também significa discutir como construir ambientes de trabalho mais saudáveis”, afirma Renata Conrado, sócia-diretora regional da GPMH.
Neste contexto, o conceito de Brain Capital, ou capital cerebral, que reúne a saúde do cérebro e as habilidades cognitivas, emocionais e sociais necessárias à aprendizagem, ao pensamento crítico, à criatividade e à colaboração. A abordagem considera essas capacidades recursos importantes para o desenvolvimento humano e para a sustentabilidade das organizações.
O conceito de Brain Capital, ou capital cerebral, ajuda a compreender a relação entre saúde, capacidades humanas e desempenho profissional. Ele reúne a saúde do cérebro e as habilidades cognitivas, emocionais e sociais que permitem às pessoas aprender, pensar criticamente, criar e colaborar. Essas capacidades são recursos importantes para o desenvolvimento humano e para a sustentabilidade das organizações.
Reorganização precisa considerar pessoas e resultados
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), publicados em 2021, associaram jornadas de 55 horas ou mais por semana a um risco 35% maior de acidente vascular cerebral (AVC) e 17% maior de morte por cardiopatia isquêmica, em comparação com jornadas de 35 a 40 horas. Os resultados se referem a jornadas muito longas e não podem ser atribuídos automaticamente à escala 6×1.
Um estudo publicado em 2025 na revista Nature Human Behaviour, que acompanhou 2.896 trabalhadores de 141 organizações durante seis meses, também identificou melhorias em indicadores de esgotamento profissional e saúde autorrelatada após a adoção de uma semana de trabalho reduzida. Os resultados são promissores, mas não garantem os mesmos efeitos em todos os setores ou modelos de organização.
Para Paulo Gaspar, sócio-diretor regional da GPMH, a mudança exige planejamento para que a redução da jornada não resulte simplesmente na concentração das mesmas demandas em menos horas. “A redução da jornada precisa vir acompanhada de uma revisão da forma como o trabalho é organizado. É necessário avaliar a distribuição das tarefas, os processos, a cobertura das equipes e os indicadores de desempenho. Sem esse planejamento, existe o risco de transferir a pressão para dentro de uma jornada menor, sem alcançar os benefícios esperados”, afirma.
A transição também apresenta desafios operacionais e econômicos. Setores como saúde, comércio e serviços contínuos têm necessidades distintas de cobertura, e algumas empresas poderão precisar investir em contratações, tecnologia ou mudanças nos processos. Por isso, eventuais ganhos relacionados à redução da fadiga, dos erros e dos afastamentos devem ser acompanhados por indicadores que permitam avaliar os resultados.
Na GPMH, a metodologia baseada em Brain Capital considera cinco dimensões: performance cognitiva, segurança psicológica, inteligência emocional, inovação e bem-estar. A proposta é combinar diagnóstico, ações de desenvolvimento e acompanhamento da evolução das equipes. “O desempenho sustentável depende das condições oferecidas para que as pessoas trabalhem bem ao longo do tempo. Quando a organização acompanha a saúde das equipes, a qualidade das entregas e as condições de trabalho, consegue tomar decisões mais consistentes. O objetivo é conciliar as necessidades do negócio com a capacidade humana de produzir e se desenvolver”, conclui Paulo Gaspar.

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