O medo de sofrer sequelas, como perder o controle urinário ou ter a função sexual comprometida, pode gerar insegurança em homens diante do diagnóstico de câncer de próstata e da possibilidade de cirurgia. Essa preocupação, porém, não deve se transformar em uma barreira para procurar avaliação médica, investigar alterações ou discutir as opções de tratamento. Quando a cirurgia é indicada, os avanços técnicos e os cuidados antes e depois do procedimento podem contribuir para a recuperação e a qualidade de vida.
O cirurgião oncológico e robótico Fernando Yaeda, da Imuno Santos, explica que os riscos precisam ser discutidos com transparência, mas que cada paciente deve conhecer as alternativas disponíveis e os fatores que influenciam os resultados. A escolha depende das características do tumor, das condições clínicas e dos objetivos do tratamento. “Os dois principais medos são a incontinência urinária e a disfunção erétil. Esses riscos existem porque as estruturas responsáveis pelo controle da urina e pela ereção ficam próximas à próstata. Mas é fundamental avaliar cada caso, explicar as possibilidades de recuperação e discutir a melhor estratégia para aquele paciente”, explica o médico.
A recuperação varia conforme fatores como idade, condições de saúde, extensão do tumor e funcionamento urinário e sexual antes do procedimento. A preservação dos feixes nervosos, quando oncologicamente possível, também pode influenciar nos resultados. A fisioterapia do assoalho pélvico e outras medidas de reabilitação podem ajudar na recuperação do controle urinário e da função sexual, embora os resultados variem e não exista garantia de recuperação completa em todos os casos.
Cirurgia robótica amplia os recursos do tratamento
A cirurgia robótica ampliou os recursos disponíveis para o tratamento do câncer de próstata. A plataforma oferece visão tridimensional e instrumentos articulados, permitindo ao cirurgião realizar movimentos delicados com precisão e controle. Entre os benefícios possíveis estão menor perda de sangue, menos dor no pós-operatório, menor tempo de internação e retorno mais rápido às atividades cotidianas.
A tecnologia, entretanto, não elimina o risco de sequelas nem substitui a experiência do profissional responsável pelo procedimento. “O robô não opera sozinho. Ele é uma plataforma que auxilia o cirurgião, oferecendo mais precisão, firmeza e controle dos movimentos. A experiência do profissional conta muito. Quando o cirurgião é experiente, os resultados podem ser semelhantes entre as técnicas aberta, videolaparoscópica e robótica”, afirma Yaeda.
O especialista ressalta que a cirurgia não é a única alternativa para todos os pacientes. Dependendo das características e do risco do tumor, a radioterapia ou a vigilância ativa — com acompanhamento médico periódico, exames e reavaliações — podem ser opções adequadas. Por isso, a decisão deve ser individualizada, considerando os benefícios e os riscos de cada abordagem.
O mais importante é que o paciente não deixe de investigar uma suspeita ou de conversar com o especialista por receio das possíveis consequências do tratamento. O diagnóstico, a avaliação do risco da doença e a discussão das alternativas permitem definir a conduta mais apropriada para cada situação.
Cirurgia robótica no SUS: ampliar o acesso é o próximo desafio
Em 2026, a prostatectomia radical assistida por robô foi incorporada à tabela de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS), um passo para ampliar o acesso à tecnologia. A oferta, no entanto, depende da estrutura hospitalar, dos equipamentos disponíveis, da qualificação das equipes e da organização dos serviços. “Precisamos ampliar o acesso sem concentrar a tecnologia apenas nos grandes centros. O paciente consegue fazer o diagnóstico, mas nem sempre tem disponibilidade de acesso ao tratamento de que precisa”, avalia o cirurgião.
A ampliação da oferta e o acompanhamento do número de procedimentos realizados serão importantes para avaliar o alcance da medida e identificar os desafios que ainda limitam o acesso.

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