Brasil deve registrar mais de 42 mil novos casos por ano de tumores ligados à cabeça e pescoço

Julho Verde alerta para sintomas persistentes que não devem ser ignorados

Uma rouquidão que dura semanas, uma ferida na boca que não cicatriza ou um caroço no pescoço sem explicação não devem ser tratados como sinais comuns quando persistem. Esses sintomas podem estar relacionados ao câncer de cabeça e pescoço, grupo de tumores que atinge regiões como boca, garganta, laringe, faringe, tireoide, glândulas salivares, seios da face, pele da face e couro cabeludo.

Esse é o alerta da Dra. Silvia Picado, médica cirurgiã de cabeça e pescoço, durante o Julho Verde, campanha dedicada à conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce da doença. Para a especialista, a demora em procurar atendimento ainda é um dos principais obstáculos para identificar a doença em fases iniciais.

“Muitos pacientes convivem por semanas ou até meses com uma rouquidão, uma ferida na boca ou um caroço no pescoço, acreditando que seja algo simples. Mas quando um sintoma persiste por mais de duas ou três semanas, ele precisa ser investigado. O diagnóstico precoce faz muita diferença no tratamento e nas chances de controle da doença”, explica.

De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar, a cada ano do triênio 2026-2028, 17.190 novos casos de câncer da cavidade oral, 16.450 de tireoide e 8.510 de laringe. Juntos, esses três tipos somam mais de 42 mil novos diagnósticos por ano no país.

O número chama atenção não apenas pelo volume de casos, mas também pelo momento em que muitos pacientes chegam ao diagnóstico. Levantamento divulgado pelo INCA apontou que 78,2% dos casos analisados de câncer de cabeça e pescoço foram identificados em estágios avançados, quando o tratamento tende a ser mais complexo e pode trazer impactos importantes para fala, alimentação, respiração e deglutição.

Entre os sintomas que merecem atenção estão feridas na boca que não cicatrizam, manchas brancas ou avermelhadas na cavidade oral, rouquidão persistente, dor ou dificuldade para engolir, caroços no pescoço, sangramentos sem causa aparente, dor de ouvido sem infecção e alterações na voz.

O tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas continuam entre os principais fatores de risco, especialmente quando associados. A infecção pelo HPV também está relacionada a tumores da orofaringe, região que inclui amígdalas e base da língua. Já a exposição solar sem proteção aumenta o risco de câncer nos lábios e na pele da face.

“É importante reforçar que o câncer de cabeça e pescoço não atinge apenas pessoas que fumam ou consomem bebida alcoólica. Esses fatores aumentam o risco, mas a doença pode aparecer em diferentes perfis de pacientes. Por isso, a orientação é observar o próprio corpo e não normalizar sinais persistentes”, afirma a Dra. Silvia.

A prevenção envolve medidas simples, mas fundamentais, como não fumar, evitar o consumo abusivo de álcool, manter boa higiene bucal, usar preservativo, manter a vacinação contra o HPV em dia conforme orientação do calendário vacinal, proteger-se do sol e realizar consultas regulares com dentista e médico.

Além do risco à vida, o diagnóstico tardio pode comprometer funções essenciais e afetar diretamente a qualidade de vida do paciente. Dependendo da localização e do estágio do tumor, o tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou uma combinação de abordagens.

“Falar sobre câncer ainda causa medo, mas investigar cedo é sempre o melhor caminho. Nem toda rouquidão, ferida ou caroço será câncer, mas todo sintoma persistente merece atenção. Procurar atendimento no momento certo pode mudar completamente a história desse paciente”, destaca a médica.

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