Em meio à crescente demanda por tratamentos eficazes e não invasivos para transtornos como depressão, enxaqueca e Alzheimer, a brasileira Santos Tecnologia, com sede em Santos (SP), decidiu apostar alto. Com um investimento estimado em mais de R$ 10 milhões, a empresa desenvolveu o HeadUp, primeiro dispositivo médico de fotobiomodulação transcraniana projetado no Brasil com foco exclusivo em saúde mental.
“Criamos uma solução única no mundo, com base científica sólida e produção nacional, para atender uma dor real e crescente: a escassez de alternativas eficazes para doenças neurológicas e psiquiátricas”, afirma Marcelo Chagas, fundador e CEO da Santos Tecnologia.
O dispositivo, um capacete que emite luz infravermelha sobre o cérebro, conta com certificação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), e já é disponibilizado no modelo de serviço por assinatura para médicos, clínicas e hospitais, com suporte técnico, acesso a um comitê científico e protocolos clínicos homologados.
Atualmente, o equipamento é utilizado por centros médicos e especialistas de todo o Brasil, especialmente em cinco estados brasileiros: Espírito Santo (ES), Maranhão (MA), Pernambuco (PE), São Paulo (SP) e Santa Catarina (SC).
De distribuidora a fabricante
Fundada em 2019, a Santos Tecnologia construiu sua reputação como fornecedora nacional de materiais OPME (Órteses, Próteses e Materiais Especiais), conectando hospitais e cirurgiões a soluções tecnológicas importadas e nacionais. A entrada na indústria de dispositivos médicos próprios marca uma guinada estratégica.
“Transformamos a empresa em fábrica para desenvolver um produto pioneiro e escalar um modelo de negócio voltado à saúde baseada em evidência e alto valor agregado”, diz Chagas.
A iniciativa surgiu após o executivo identificar o potencial da fotobiomodulação em um congresso nos EUA. A tecnologia, embora difundida em aplicações estéticas, não havia sido explorada com profundidade em doenças psiquiátricas. Chagas convocou especialistas brasileiros e montou uma operação de pesquisa e desenvolvimento local, firmando parcerias com instituições como a Universidade Federal de Pernambuco (UPE) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Modelo escalável e SUS no radar
O HeadUp segue com estudos em desenvolvimento em centros públicos de saúde, como o Ambulatório de Neurologia Clínica de Cabo de Santo Agostinho (PE), onde a empresa avalia a viabilidade de inserção no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo Chagas, o produto foi desenhado para ser de baixo custo operacional, portátil e de fácil manejo clínico, facilitando sua adoção em larga escala.
“Nosso modelo é reprodutível em qualquer país. Estamos estruturando a operação para atender tanto o mercado privado quanto parcerias público-privadas, com foco em escala e impacto social”, afirma o CEO da empresa.
Além do mercado brasileiro, a Santos Tecnologia já articula intercâmbios científicos com instituições dos Estados Unidos, como a Universidade de Massachusetts, visando internacionalizar a tecnologia.
Liderança com DNA comercial e técnico
À frente da operação está um executivo com perfil híbrido. Marcelo Chagas tem uma carreira consolidada no setor da saúde, com passagens por farmacêuticas como Sanofi-Aventis, Merck Sharp & Dohme e Eurofarma, além de larga experiência no setor OPME. É especialista em crescimento estratégico, marketing médico e inteligência de mercado, com formação pela Universidade Metropolitana de Santos, FGV, ESPM e PUC-PR.
“A inovação só tem valor se for acessível, escalável e baseada em ciência. O HeadUp é isso: um produto com propósito e potência de mercado”, conclui.
Em 2025, a Santos Tecnologia completa seis anos de trajetória. Agora, aposta na união entre pesquisa clínica, tecnologia e modelo de negócios inteligente para ocupar uma lacuna relevante: oferecer uma alternativa científica real ao sofrimento silencioso de milhões de pacientes.

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