Parar de fumar nem sempre é uma decisão fácil de colocar em prática, e contar com acompanhamento pode fazer diferença nesse processo. Em São Vicente, quem deseja abandonar o cigarro encontra apoio no grupo de combate ao tabagismo realizado na UBS Central pela Prefeitura, por meio da Secretaria da Saúde (Sesau). O trabalho ganha destaque neste sábado (29), Dia Nacional de Combate ao Fumo, data dedicada à conscientização sobre os riscos do tabagismo e à importância de buscar ajuda para deixar o vício.
Como forma de combater a doença, o programa promove o contato entre pessoas que compartilham experiências e histórias, possibilitando a troca de estratégias para enfrentar o vício e evitar gatilhos que podem levar à recaída. A assistente social responsável pelo grupo antitabagismo, Camila Helcias, considera o contato e a troca de experiências alguns dos principais fatores para a evolução dos pacientes.
“O grupo é importante porque trabalhamos a questão do acolhimento, a troca de experiências e um espaço de escuta. O grupo é um fator principal por causa dessas mudanças que eles podem desenvolver na rotina deles. Encontram pessoas com experiências parecidas e que estão passando pela mesma situação, que entendem o que estão vivendo. Isso cria um ambiente acolhedor”, compartilha Camila.
Para João Alves, de 44 anos, o grupo foi uma forma de finalmente encontrar um caminho para se livrar do cigarro. Há dois anos sem fumar, ele já havia tentado abandonar o vício sozinho, mas acabou retornando ao hábito. Inicialmente, procurou o grupo apenas para conseguir os adesivos e continuar o tratamento por conta própria, mas encontrou no espaço o acolhimento necessário para seguir em frente.
“Eu não queria vir para interagir e achava besteira, mas o que me fez realmente parar de fumar foi essa troca com as pessoas. Nos encontros, tive troca de ideias, acompanhamento médico e apoio das pessoas. Ver histórias e dificuldades semelhantes me incentivou a compartilhar minhas próprias experiências. Quando escutamos histórias parecidas de pessoas que também querem parar de fumar, sentimos que estamos no caminho certo e conseguimos pensar mais nisso como uma luta”, explica João.
A mudança também trouxe impactos para a rotina de João. O cheiro de cigarro, que incomodava a filha e a esposa, além da sensação de exclusão que sentia em algumas situações por precisar fumar, deixaram de fazer parte do seu dia a dia. O paciente utilizou o adesivo por pouco tempo e, posteriormente, conseguiu parar de fumar, passando a perceber os benefícios da mudança para sua saúde.
“Hoje eu não fico com cheiro de cigarro, não me sinto mais excluído e consigo respirar melhor. Minha respiração melhorou muito e agora ganhei peso. Quando eu fumava, era extremamente magro e aquilo me incomodava muito. Cheguei ao peso que sempre sonhei e faço meu exercício físico”, compartilha João, com alegria.
Além de João, outros pacientes também encontraram no grupo o apoio necessário para abandonar o vício. É o caso de Maria de Fátima Bastos de Lima, de 52 anos, que decidiu iniciar o tratamento após perceber o constrangimento causado pelo hábito e o afastamento de pessoas próximas. Ela também enfrentava dificuldades relacionadas à respiração e à saúde e passou por momentos em que precisou manter distância da filha grávida e da neta. Hoje, Maria está há cinco meses sem fumar.
“Minha filha mais velha me inscreveu e, no começo, eu não queria vir. Briguei bastante e fiquei chateada, mas ela insistiu até que eu viesse. Quando a mais nova ficou grávida e ficou 17 dias internada, eu não podia descer toda hora para fumar. Então, quando eu descia e voltava, ela comentava sobre o cheiro forte de cigarro. Eu sentia vergonha. Também sentia vergonha da minha casa e do cheiro forte de cigarro”, comenta Maria.
Com o avanço do tratamento, Maria percebeu mudanças que vão além da saúde. O cheiro de cigarro deixou de fazer parte de sua rotina, assim como a dificuldade para respirar e as situações constrangedoras durante as visitas a familiares e amigos.
“Eu cheiro bem agora e meu cabelo é cheiroso, minha casa tem cheiro de limpeza e eu visito as pessoas só recebendo elogios. Ninguém mais compra cinzeiro para me receber e, quando abraço minhas filhas, elas dizem que eu estou cheirosa. É emocionante. A luta é grande, mas prosseguir com ela traz coisas maiores”, acrescenta Maria.
Para participar do grupo, o munícipe deve procurar a unidade de saúde de referência de sua região e conversar com os profissionais sobre o interesse em realizar o tratamento. O cadastro é feito mediante o fornecimento de nome, telefone, cartão do SUS e CPF. Depois, o interessado entra em uma lista de espera e é chamado para participar dos encontros. As reuniões acontecem às sextas-feiras, na UBS Central, das 8h30 às 10h30.
O grupo é composto por 10 encontros e oferece acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, formada por enfermeiro, assistente social, médico, dentista, psicólogo, fonoaudiólogo, nutricionista e fisioterapeuta. Quando necessário, os pacientes também têm acesso a medicamentos de uso oral e adesivos como parte do tratamento para a cessação do tabagismo.

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