Fotobiomodulação: terapia com luz infravermelha avança no tratamento de doenças neurológicas no país

Neurologista explica como funciona a tecnologia usada contra enxaqueca e depressão; Brasil passa a contar com o primeiro equipamento nacional certificado pela Anvisa e pelo Inmetro

No mundo, mais de 3,4 bilhões de pessoas enfrentam distúrbios neurológicos como enxaqueca, Alzheimer, autismo, epilepsia e AVC, segundo o relatório Global Status Report on Neurology (2025). A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o índice equivale a mais de 40% da população e já é considerado a principal causa de incapacidade global, ultrapassando o câncer e as doenças cardiovasculares.

A OMS associa a alta incidência às dificuldades de acesso ao diagnóstico e ao tratamento adequado. O levantamento também revela que 80% dos casos estão ligados a condições socioeconômicas, concentrando-se em países de baixa e média renda.

A neurologista e pesquisadora, doutora Idele Cantalice, explica que, embora distintas, as doenças têm pontos em comum. “São transtornos neurológicos que comprometem o sistema nervoso central e que afetam o funcionamento saudável dos neurônios, envolvendo inflamação, redução de energia celular e dano oxidativo no cérebro”, afirma.

Cada quadro exige um protocolo individualizado. Dependendo do diagnóstico, o tratamento pode incluir medicamentos, acompanhamento multidisciplinar e até intervenções cirúrgicas.

Solução brasileira

A partir de agora, o Brasil passa a contar com o HeadUp, primeiro dispositivo médico nacional que utiliza a Fotobiomodulação Transcraniana (PBM-t) no tratamento de enxaqueca, depressão, ansiedade, Alzheimer e Parkinson. A eficácia é comprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), enquanto o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) certifica a segurança e funcionalidade do equipamento. O dispositivo é fabricado pela Santos Tecnologia, empresa do Grupo Santos Tec, sediada em Santos (SP).

Em formato de capacete, o aparelho emite luz com comprimento de onda de 810nm que atravessa o crânio e alcança o córtex cerebral, estimulando a atividade mitocondrial, promovendo oxigenação, regeneração e modulação neuroquímica. Diferentemente de dispositivos voltados à estética, permite controle preciso da frequência e da intensidade da luz, tornando o protocolo terapêutico personalizado.

A PBM-t já é alvo de estudos em centros de pesquisa internacionais, como a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos (EUA). A empresa mantém cooperação científica com grupo liderado pelo psiquiatra Paolo Cassano, diretor da divisão de neuropsiquiatria do Hospital Geral de Massachusetts e uma das principais referências em fotobiomodulação no mundo.

Enxaqueca lidera nos consultórios

Segundo a médica, que integra os estudos clínicos do HeadUp e utiliza o dispositivo em consultório, a enxaqueca e outras cefaleias estão entre os principais motivos de busca por atendimento neurológico. O protocolo com PBM-t prevê dez sessões, com duração de 20 minutos cada.

“Ao iniciar o tratamento com o HeadUp, os pacientes realizam, em média, três sessões semanais. Nesses dias, monitoramos os sintomas por meio de questionários de dor e qualidade de vida. Após as dez sessões, solicitamos retorno para reavaliação em 30 dias. Já temos casos de pessoas que retomaram as atividades profissionais após a redução significativa das crises”, afirma a doutora Idele.

Baixo custo e fácil aplicação

A especialista destaca que o HeadUp é uma alternativa não invasiva e de baixo custo. “Os medicamentos tradicionais podem provocar efeitos colaterais como sedação e náusea, enquanto a fotobiomodulação se apresenta como opção segura”, conclui.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*