Felicidade Obrigatória: Quando o Clima de Fim de Ano Se Torna Pressão Emocional

Especialista alerta para os impactos psicológicos do período festivo, que pode agravar quadros de ansiedade e depressão diante da cobrança por alegria e convivência social

Entre luzes, músicas festivas e timelines repletas de mensagens otimistas, há um silêncio emocional que costuma passar despercebido: o do cansaço, da comparação constante e da tristeza escondida em meio às celebrações. O fim de ano, frequentemente associado à alegria, aos reencontros e à renovação, também pode ser um terreno fértil para gatilhos emocionais profundos. “É um período que junta balanço de vida, lembranças afetivas e pressão por convivência social. Quando alguém já está fragilizado, isso tudo se transforma em um amplificador emocional”, explica o médico Thyago Henrique, pós-graduado em psiquiatria pelo Hospital Israelita Albert Einstein.

A Felicidade Como Imposição Social

A ideia de festas perfeitas — com famílias reunidas, sorrisos sinceros e vínculos fortalecidos — foi construída culturalmente ao longo de décadas. “É uma expectativa reforçada por publicidade, tradições e redes sociais. Quando a realidade não acompanha esse roteiro idealizado, surgem culpa, vergonha e sensação de fracasso por não ‘performar felicidade’”, destaca o especialista.

Sinais de Alerta Emocional

O peso emocional pode se manifestar de forma sutil, mas persistente: ansiedade crescente, queda de humor, irritabilidade, insônia, tensão muscular e desejo de isolamento são sinais comuns.

Além disso, o período pode agravar quadros preexistentes de depressão e ansiedade, intensificando sintomas como autocrítica excessiva, retraimento social e sensação de vazio. “É comum ver pensamentos ruminantes, dificuldade de concentração e crises de ansiedade mais frequentes”, diz o Dr. Thyago.

Quem São os Mais Vulneráveis

Alguns grupos tendem a ser mais impactados pela pressão emocional de fim de ano:

•             Pessoas que enfrentaram perdas recentes

•             Indivíduos em transição (fim de relacionamento, mudança de cidade, aposentadoria)

•             Quem vive longe da família ou está em conflito com ela

•             Pessoas com histórico de transtornos mentais

•             Quem passa por dificuldades financeiras

A solidão, especialmente a involuntária, é um dos elementos mais dolorosos dessa época. “Estar sozinho por escolha é diferente. Há paz. Na solidão emocional, o que há é dor e desconexão”, explica.

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